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Segunda-feira, Abril 30, 2007
simples abraço
sentou-se ao lado dele, e sua pele se arrepiava daquele jeito que era quando se sentia triste, quando se sentia só. mas ele não sabia mais perceber a tristeza em seus olhos profundos, nem na sua pele arrepiada, e se percebesse, não saberia mais como consolá-la, mesmo que os dois saibam lá no íntimo que o melhor consolo que poderiam dar era apenas um abraço apertado e sincero. ele não sabia direito há quanto tempo não recebia dos braços dela aquele calor reconfortante, ou quanto tempo fazia que eles não riam juntos de todas as coisas que faziam parte da vida, rir para não chorar, ou até que ela tivesse tempo para ouvir tudo que ele pensava em dizer. e naqueles dias frios, não diziam mais nada um ao outro, e o silêncio cantava baixo o fim próximo. eles não sabiam mais o que aquele sentimento tão sincero, aquele sentimento tão comum e bonito, aquele sentimento tão extraordinário tinha ido parar. talvez estivesse mesclado as manias irritantes, e a falta de tempo, a rotina desgastante e a busca sempre sempre do novo, que fazia esquecer tudo que foi e o que não é mais. ela olhava para os seus pés tortos, sendo tomada por uma saudade, mais que saudade, uma nostalgia vasta de tudo o que ele respresentara para ela. de todos os dias, de todas as horas, de todos os instantes, de todos os choros, e de todos os risos, e de todas as brigas, e de todas as palavras, e de todos os segredos, e de todos os silêncios, e sentiu medo. medo que aquele momento fosse o fim, o fim de toda uma vida, de uma história de um livro bobo, de um filme desinteressante que só se torna vivo para os personagens principais, e que tais, nem são tão principais assim, são só coadjuvantes. ela queria ter a coragem de abraçar ele e pedir que fique, e pedir que tente, e dizer tudo o que seu coração carregara naqueles dias tão distantes. mas os seus braços não se moviam, sua boca não se mexia, ela não tinha mais coragem nem disso, e se julgava tão covarde.
mas covarde foi ele, que achara que aquela história foi passado, e que amizades vem e vão, e o que ficou, ficou. que resolveu pedir as contas, assinar o contrato, desinstalar o programa. e, que lá no fundo, chorava de tristeza por não tentar de novo, por não saber abraçá-la e dizer só que tudo vai ficar bem, cantar as mesmas velhas músicas que um dia cantaram juntos por motivos bobos, mas enaltecedores. já não sentia encanto pela menina que era, quando foi que a conheceu profundamente, todas as suas risadas e o seu jeito de falar ficou repetitivo, e já não tinham efeitos as suas palavras poéticas e utópicas, que na realidade, não funcionavam. tinha se cansado de chegar no segredo da sua alma, o seu tesouro escondido, o que ela escondia de todos, os seus dramas sem sentido, suas histórias sem personagens. e ele sabia que, ás vezes, ela tinha vontade de matar ele, de nunca ter conhecido, que foi um motivo a mais pros seus dramas, que foi um peso em sua vida, e que só criou problemas. sendo assim, chegara a hora do apocalipse sem que precisasse, necessariamente, acabar o mundo. chegou a hora de virar a última página, sem tragédia, sem romance, ou assim ele pensara que fosse.
- eu vou embora.
- vai pra onde?
- vou...por aí.
ela abaixou a cabeça, e a vontade de chorar agora vinha incontrolável, mas não queria se mostrar tão fraca, ou era mais que isso, não queria mostrar que ainda restava por ele algum sentimento profundo que a fazia pensar nele quando estava só, não queria mostrar qualquer sentimento se ele não era recíproco, que tinha percebido agora a sua infinita amizade. infinita, que estava tentando dar um fim. não era possível que poderia haver fim, ficariam dúvidas, e ficariam lembranças, e ficariam resquícios. que um dia seriam apagados pelas ondas do tempo, pela substituição. fora sempre tão substituta, e substitutas são como putas, são passageiras.
- você não quer ir, sem nem me dar um abraço de despedida, não é?
foi então que ele percebeu a lágrima que rolava pela face da sua amiga, e que isso não poderia ser assim. não podia ser assim tão frio, e sentiu renascer com toda a força todo o amor que, um dia, sentiu por ela. e sentiu pesar de estar indo embora, de estar deixando toda a sua vida fora, e como isso estava sendo tão mais difícil do que pensara. agora, o que queria era passar a eternidade naquele compasso, naquela pausa, em que o mundo parara de girar, e nada mais importava.
quando se deram conta, dois corpos de sexos diferentes - que parecia ser um só - se fundiam numa alma só - pelo menos por um instante e só, em um abraço que não saberiam dizer se seria de despedida, de recomeço, de lembrança ou qualquer coisa do tipo, mas era sentido, era bonito, e era verdadeiro. e então, ela sentiu uma lágrima molhar o seu ombro, e sorriu discretamente, ao ver tantas lágrimas mancharem a camiseta dele.
- eu tô indo procurar minha vida. - disse ele baixo, depois de tanto tempo, respirando forte, encontrando a força, que antes tão forte, tinha se escondido para fazer o que se devia.
- vai. - disse ela, rouca, sem saber mais o que dizer. - e boa sorte. só não esquece de mim.
ele sorriu e se levantou calado, desaparecendo na esquina difusa pela neblina inesperada, e ela achou que a imagem de costas dele, talvez, fosse a última que se lembraria.
uma margarida comum, um beijo, um simples abraço, que é pra você lembrar de mim.
simples abraço - nando reis.
postado por mariana às 15:12
simples abraço
sentou-se ao lado dele, e sua pele se arrepiava daquele jeito que era quando se sentia triste, quando se sentia só. mas ele não sabia mais perceber a tristeza em seus olhos profundos, nem na sua pele arrepiada, e se percebesse, não saberia mais como consolá-la, mesmo que os dois saibam lá no íntimo que o melhor consolo que poderiam dar era apenas um abraço apertado e sincero. ele não sabia direito há quanto tempo não recebia dos braços dela aquele calor reconfortante, ou quanto tempo fazia que eles não riam juntos de todas as coisas que faziam parte da vida, rir para não chorar, ou até que ela tivesse tempo para ouvir tudo que ele pensava em dizer. e naqueles dias frios, não diziam mais nada um ao outro, e o silêncio cantava baixo o fim próximo. eles não sabiam mais o que aquele sentimento tão sincero, aquele sentimento tão comum e bonito, aquele sentimento tão extraordinário tinha ido parar. talvez estivesse mesclado as manias irritantes, e a falta de tempo, a rotina desgastante e a busca sempre sempre do novo, que fazia esquecer tudo que foi e o que não é mais. ela olhava para os seus pés tortos, sendo tomada por uma saudade, mais que saudade, uma nostalgia vasta de tudo o que ele respresentara para ela. de todos os dias, de todas as horas, de todos os instantes, de todos os choros, e de todos os risos, e de todas as brigas, e de todas as palavras, e de todos os segredos, e de todos os silêncios, e sentiu medo. medo que aquele momento fosse o fim, o fim de toda uma vida, de uma história de um livro bobo, de um filme desinteressante que só se torna vivo para os personagens principais, e que tais, nem são tão principais assim, são só coadjuvantes. ela queria ter a coragem de abraçar ele e pedir que fique, e pedir que tente, e dizer tudo o que seu coração carregara naqueles dias tão distantes. mas os seus braços não se moviam, sua boca não se mexia, ela não tinha mais coragem nem disso, e se julgava tão covarde.
mas covarde foi ele, que achara que aquela história foi passado, e que amizades vem e vão, e o que ficou, ficou. que resolveu pedir as contas, assinar o contrato, desinstalar o programa. e, que lá no fundo, chorava de tristeza por não tentar de novo, por não saber abraçá-la e dizer só que tudo vai ficar bem, cantar as mesmas velhas músicas que um dia cantaram juntos por motivos bobos, mas enaltecedores. já não sentia encanto pela menina que era, quando foi que a conheceu profundamente, todas as suas risadas e o seu jeito de falar ficou repetitivo, e já não tinham efeitos as suas palavras poéticas e utópicas, que na realidade, não funcionavam. tinha se cansado de chegar no segredo da sua alma, o seu tesouro escondido, o que ela escondia de todos, os seus dramas sem sentido, suas histórias sem personagens. e ele sabia que, ás vezes, ela tinha vontade de matar ele, de nunca ter conhecido, que foi um motivo a mais pros seus dramas, que foi um peso em sua vida, e que só criou problemas. sendo assim, chegara a hora do apocalipse sem que precisasse, necessariamente, acabar o mundo. chegou a hora de virar a última página, sem tragédia, sem romance, ou assim ele pensara que fosse.
- eu vou embora.
- vai pra onde?
- vou...por aí.
ela abaixou a cabeça, e a vontade de chorar agora vinha incontrolável, mas não queria se mostrar tão fraca, ou era mais que isso, não queria mostrar que ainda restava por ele algum sentimento profundo que a fazia pensar nele quando estava só, não queria mostrar qualquer sentimento se ele não era recíproco, que tinha percebido agora a sua infinita amizade. infinita, que estava tentando dar um fim. não era possível que poderia haver fim, ficariam dúvidas, e ficariam lembranças, e ficariam resquícios. que um dia seriam apagados pelas ondas do tempo, pela substituição. fora sempre tão substituta, e substitutas são como putas, são passageiras.
- você não quer ir, sem nem me dar um abraço de despedida, não é?
foi então que ele percebeu a lágrima que rolava pela face da sua amiga, e que isso não poderia ser assim. não podia ser assim tão frio, e sentiu renascer com toda a força todo o amor que, um dia, sentiu por ela. e sentiu pesar de estar indo embora, de estar deixando toda a sua vida fora, e como isso estava sendo tão mais difícil do que pensara. agora, o que queria era passar a eternidade naquele compasso, naquela pausa, em que o mundo parara de girar, e nada mais importava.
quando se deram conta, dois corpos de sexos diferentes - que parecia ser um só - se fundiam numa alma só - pelo menos por um instante e só, em um abraço que não saberiam dizer se seria de despedida, de recomeço, de lembrança ou qualquer coisa do tipo, mas era sentido, era bonito, e era verdadeiro. e então, ela sentiu uma lágrima molhar o seu ombro, e sorriu discretamente, ao ver tantas lágrimas mancharem a camiseta dele.
- eu tô indo procurar minha vida. - disse ele baixo, depois de tanto tempo, respirando forte, encontrando a força, que antes tão forte, tinha se escondido para fazer o que se devia.
- vai. - disse ela, rouca, sem saber mais o que dizer. - e boa sorte. só não esquece de mim.
ele sorriu e se levantou calado, desaparecendo na esquina difusa pela neblina inesperada, e ela achou que a imagem de costas dele, talvez, fosse a última que se lembraria.
uma margarida comum, um beijo, um simples abraço, que é pra você lembrar de mim.
simples abraço - nando reis.
postado por mariana às 15:12
Sexta-feira, Abril 27, 2007
lábios doces
e o doce dos seus lábios carnudos encarnaram minha alma de seda, e ah, se eu soubesse que tão doce eram aqueles lábios teria os aproveitado antes. ela era toda ela, e isso bastava para mim, nada além dos seus cabelos curtos e do seu sorriso de lado. eu gostava de como ela me dominava, e de como me fazia pertencer dela com um tanto pouco de tempo, e o meu maior temor foi que ela não sentisse o mesmo por mim. testei meus lábios no espelho, para ver se eram amargos, e a pessoa a minha frente nada fez, talvez tenha dado uma piscadinha, mas o que significa uma piscadinha? talvez meus lábios sejam amargos, mas talvez eu seja uma pessoa inteira. e, nesses dias difíceis, encontrar alguém inteiro é tão complicado. os inteiros são raros, a conservar o que te aflinge e o que ama, os inteiros são únicos, e eu me sentia inteiro, mas agora me sentia vazio, como há nunca tinha sentido. talvez tenha percebido esse vazio que só completava na presença de alguém, talvez eu tenha virado viciado em companhia de todos os tipos, talvez eu queria mais do que nunca todas as pessoas possíveis, e, principalmente, as impossíveis. e ela parecia tão distante, mas agora não, parecia tão próxima de mim, eu a tinha tido por uma noite, nas minhas mãos, o seu riso enviesado foi dirigido a mim, e o jeito de mexer nos cabelos curtos foi para me seduzir. mas agora, de novo, ela parecia tão difusa e confusa, eu já não sabia se realmente gostava dela, mas queria mais um pouco daquela dose dela. eu só queria saber farejar aquele seu cheiro, e seguir e saber o que ela achou, e ouvir dos lábios dela o que ela quer, o que ela sente. mas a minha insignifcante posição de ser humano tímido não me permetia sequer descobrir o telefone dela. a minha insiginificância era tanta que tentava achar realidade para todos os meus desejos infinitos e sem sentido, para que mesmo tanto desejo? para que mesmo tanta preocupação? me sentia como um adolescente inexperiente excitado com qualquer toque das menininhas más. ah, e como eu parecia só um personagem de uma novela, sem alma sem cor, relembrando as cenas em preto e branco de noites sem sentido! paixões a primeira vista não existem, paixões em primeiros encontros, muito menos. e eu procurava na minha vasta memória, todas as meninas que conseguia sentir o mínimo de atração, desesperadamente, tentando me livrar do incômodo da sua voz a falar nos meus ouvidos ainda! e eu queria todas as meninas, e eu queria o mundo para mim, inteiro, como eu, traçado, do jeito como meus sonhos tão bem detalhavam. queria que só, por uma vez, tudo ocorresse bem, que meus planos chegassem ao fim, que alguém percebesse minha intrigante integridade. olhei para a janela, a chuva anunciando a tristeza clara, a tristeza sem definição, a dúvida que fica. e eu vi a minha alma despedaçada sendo precipitada em forma de gotas de água por todo o mundo, eu estava jorrando tudo de mim, para quem quisesse, em forma que pudesse. e observei tanto as meninas correndo de medo daquela chuva de sentimentos românticos, com medo dos cabelos armados, com medo dos seus próprios sentimentos afetados, por que é que eu fui nascer tão romântico, essa minha alma feita de melado me enjoa. e eu só queria ver você, a rodar na chuva, sem medo, pois essa mania de ter medo sempre de tudo me irritava cada vez mais. e eu só queria correr e beijar seus lábios doces, entre as lágrimas doces da chuva feitos da nossa essência mesclada. ah, eu só quero que essas saudades, essas vontades impossíveis sejam por você sentidas, quero o seu retorno, para variar, pois dessa vez não quero pedir pouco, não vou me redimir, eu quero você, não para ser imortal, não para ser a única, eu quero você e pronto.
- hoje mesmo, nando reis. *-*
flor continua depois, eu preciso de prática.
postado por mariana às 22:35
Sábado, Abril 21, 2007
continuação flor: parte três
marialice acordou do que parecia dois dias inteiros de sono pesado, e quando já chorava ao perceber que flor não estava em casa, atendeu o telefone insistente aos prantos.
- alô, mãe?
- graças a deus, flor do céu, minha filha, peloamordedeus, onde você tá?
- não se preocupa, olha eu vou viajar com meus amigos, e não chama polícia nem nada, eu ligo de vez em quando, tá? e não enche, mãe.
- meudeus! como assim flor? como você faz isso comigo? - marialice agora gritava de horror e desespero, achava que poderia explodir a qualquer momento.
- olha aqui, dona, se você procurar a flor ou encher ela demais, eu vo ai bater na senhora. - disse uma voz máscula desconhecida do outro lado da linha. marialice ainda ouviu, no ápice do desespero, a risada da sua filha dizendo 'não diz assim, amor, minha mãe é neurótica'.
- tchau mãe, vê se se diverte, e sem paranóia, por que voce não procura o papai? eu to bem... -
então, a mãe se esgoelando de tanto chorar e gritar ouviu a linha cair e tom do ocupado do outro lado da linha não foi nada reconfortante. de certa maneira, no fundo, sabia que isso um dia ia acontecer, mas não desse jeito, não tão de repente, e a única solução que achava era se matar, já que sua filhinha, sua querida filhinha, estava tão longe, com gente estranha e o pior de tudo era não queria ser achada. o pior de tudo era que ela não queria mais ficar perto da sua querida mãe. o pior de tudo foi sentir a ligação que existia entre ela e a filha se rompendo de maneira brusca e violenta, tudo que construíra simplesmente tinha se esvaído, tão rápido e tão dolorosamente...
- luca, você não pode falar assim com a minha mãe, é sério. perigo ela se matar.
- mas você é minha, e não dela. só minha, inteira minha, e você sabe disso, minha florzinha.
flor mordeu os lábios devagar e olhou nos olhos dispersos daquele que chamava de namorado. daquele que achava que amava infinitamente.
- florzinha?
- por que você, na verdade, é uma erva daninha?
flor desabotoou a calça dele e sussurrou no seu ouvido:
- o que você acha?
- que você é a minha erva daninha, venenosa e gostosíssima. marcão, passa a mary aí que eu vou ali com a flor...
o tal de marcão, um menino de quase dois metros de altura, com cara de bobão, jogou a erva e lançou uma piscadela para o seu amigo.
flor achava que todas as coisas pelo que passou ninguém as viveu tão intensamente como ela, e achava que não existia na face da terra, pessoa mais feliz quando gritava de prazer. só não sabia que todas as experiências mais loucas e intensas da sua vida iriam corromper esta por um caminho sem volta e sem fio.
já luca, no auge dos seus dezenove anos, esbanjando o dinheiro do seu pai deputado federal ausente, sabia que não tinha satisfação melhor quando espancava os mais fracos, se sentindo a cada soco e chute cada vez mais homem, cada vez mais seguro de si, cada vez mais e mais, na sua paixão obstinada de humilhar os outros, e de ser superior, e nessa vida sem nexo, a sua namorada era quem comia e seus amigos eram com quem fumava maconha, e nada mais que significasse.
e o que todos os adolescentes queriam era apenas se livrar das mãos superprotetoras de suas mães e pais ausentes, queriam fazer a sua vida do jeito que quisessem, numa anarquia sem política, caos sem nome, apenas se matar sem ter que ouvir a bronca incial e final de vozes roucas e velhas que já não surtiam efeito algum, só queriam fazer seus caminhos como seus desejos imediatos mandavam.
eu sei que ta ruim, mas é a falta de pratica.
humpf.
vai ter mais, ou eu pretendo, pelo menos.
postado por mariana às 18:45
Segunda-feira, Abril 09, 2007
continuação flor: parte dois
ela tinha cabelos encaracolados compridos, como da sua mãe quando esta era jovem. mas seus olhos tinham um verde vivo que vinha de um pai há muito distante, e um sorriso particular numa mistura sinfônica de ironia e inocência. era uma menina muito atraente, e sempre fora, desde pequena quando aconselharam a mãe a colocá-la numa agência de modelos. fez fotos bonitas e apareceu em alguns folhetos de propaganda de calçados. mas sua mãe logo a tirou da agência pelo medo dos perigos que a profissão de modelo podia trazer, mas mal sabia tal pobre mãe que perigos todo filho corre, e privá-los de viver só os piorava. a menina ainda conservava o jeito auto-confiante, e um pouco arrogante, de modelo do alto das suas pernas e mini-saias ousadas, e o seu nome já não combinava com a sua personalidade esquiva. flor, fora dos olhos atentos e cansados da sua velha mãe triste, era uma menina inquieta e que ia a escola para matar aula e beber e fumar com seus amigos mais populares. odiava estudar e se preocupava mais com suas unhas do que com seu futuro. tinha aquele sorriso singular sempre estampado e sabia levar alegria onde quer que fosse, e numa análise mais superficial de mãe, era a salvação da vida de qualquer um. mas como toda grande salvação, há uma grande tentação, e flor gostava de tudo que lhe tentava. era uma menina normal daqueles dias de hoje, despreocupada com o futuro ou com o mundo ou algo que vá além do seu umbigo furado, segundo seus professores cansados de tantos alunos iguais. mas flor estava cansada demais com a sua mãe, guiando todos os seus passos, na perfeição exata da sua sombra. onde quer que fosse sua mãe estava, e parecia que esta vivia só por ela. chegava a pensar na vida horrível que deveria ser de uma enfermeira solteirona que não tinha salvação no amor, que não tinha amigas e que só tinha uma filha. mas todo o amor canalizado em uma só pessoa sempre sufocara flor. a mãe queria que ela fosse médica, que fosse rica, que encontrasse alguém decente e não andasse com gente esquisita. queria que fosse honesta, e tudo que não fora na sua juventude transviada. quando pequena, não a levava para brincar com outras crianças e a menina só foi para a escola aos sete anos com insistência da própria. tal mãe queria tanto a filha para si, para completar todos os vazios que preenchiam a sua vida frustrada que a privou de viver e sentir tudo que se deve. e flor alimentava um sentimento de rebeldia adolescente, daquelas que gosta de fazer o contrário só para irritar, que fazia sua mãe entrar em depressão por vários dias, até que esta se redimisse. os vizinhos inconformados comentavam que duas mimadas vivendo numa casa só era impossível de se aguentar. a única amiga da sua mãe sempre dizia a mulher que não podia privar o mundo de incertezas da vida, e que flor não era ela, nunca seria ela, que flor tinha uma vida só dela. mas marialice não queria ouvir nada disso, tinha na cabeça que ela e sua filha eram uma só e assim viveriam numa eterna felicidade jamais conhecida por amores casuais de homens e mulheres se manipulando e se ferindo aos poucos, até que matassem todo o sentimento que restar. queria a sua filha pura e virgem, a sua filha única e dela, a menina que os pais de marialice sempre queriam que ela fosse. a filha perfeita junto da mãe perfeita, sem homens para atrapalhar tão equilibrada família.
mas flor não concordava com a visão da sua mãe, e estava tão cansada de quebrar todos os móveis da casa depois de beber umas e ser arrastada pelos cabelos, e depois se arrepender ao ver a sua mãe como uma criança choramingando e lamentando na cama, falando sozinha e se mutilando com giletes sem corte, para pedir desculpas e ver a maior felicidade da mulher que não a largava por dias inteiros, cantando canções de ninar inventadas sobre amores perfeitos em mundos paralelos. estava tão cansada das mesmas palavras e de não poder ser quem ela realmente queria, quem ela realmente era, de não poder crescer e mostrar ao mundo o que a menina virara, o contrário de tudo o que podia significar o seu nome delicado e submisso. foi quando a menina aproveitou que a mãe dormia com um sorriso aprumado e arrumou a mochila para viajar com seus amigos, uma viagem que ela queria que fosse sem volta, queria sumir sem deixar rastros e fazer sua vida com quem queria longe de todo o sufoco, e finalmente, ela poderia respirar por si só, ela, flor e não flor e marialice, apenas flor.
e mais mais mais continuações.
postado por mariana às 19:39
Domingo, Abril 01, 2007
tão mais triste
o orgasmo sensato
o meu desejo intacto
quero de tudo impacto
e o meu coração eu mato
quero de ponta cabeça
quero que me enlouqueça
e antes que o dia amanheça
quero que de tudo se esqueça
nossos corpos se fundem
e nossas almas se confundem
nossos amores difusos difundem
o 'eu te amo' pelo que nos tentem
e quando meu coração parar
se ao ver seus olhos em par
e se sem você me sentir sem ar
o meu desejo tratará de te afastar
não vou querer amor
para sofrer com todo o disamor
que existe entre as ameias em dor
e ver meu eu e meu desejo perder a cor
escolho sempre a saída
só peço beijo de despedida
só quero outra vez, outra pedida
e não ter mais medo de viver a vida
minha vida em amor inexiste
sou feito alcool, droga e dinamite
sou apenas desejo e vontade sem limite
sou apenas vício que deixa tudo tão mais triste
tudo tão mais triste
desgastou o meu apetite
levante do meu lado em riste
que
quero
chorar
em paz.
mais.
postado por mariana às 22:58
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